Entrevista – 2006

Perguntas e Respostas sobre o que é a Xanta. Entrevista de 2006.

 

O Projeto Mão na Máquina e o Projeto Web com servidor livre não são “meus projetos”, são fruto de grandes idéias pensadas coletivamente que foram postas em prática coletivamente. – ele já foi colocado em prática?
Sim, o projeto de Tecnologias Livres, nominado como xanta[1] (o nome da maquina servidora) já está sendo praticado. Da seguinte forma: iniciamos o nosso aprendizado técnico em administração da máquina e utilização de softwares livres em rede, sendo que, posteriormente começaremos a servir articulações sociais que tenham interesse em utilizar/aprender o ciberativismo na area de tecnologias de informação. Para isso, utilizaremos o método de oficinas, serviços webs, documentação e compartilhamento.

Existe desde quando?
O Projeto Xanta de Tecnologias Livres, iniciou-se em agosto de 2006, sendo consequência de um projeto anterior, o “Mão na Máquina – Software Livre para Mulheres”, de meados de 2005.

Quantas pessoas participam?
Atualmente contamos com 18 utilizadoras/es da máquina.

Como os interessados podem entrar em contato para participar?
As pessoas interessadas podem entrar em contato mandando um e-mail para lista de discussão de desenvolvimento do projeto “xanta at lists.riseup.net”.

Conseguiram o servidor?
A máquina servidora foi doada pelo Centro de Mídia Independente de Nova Iorque para o Grupo Mão na Máquina, que forneceu ela para serviço. Infelizmente é uma máquina bem precária, como somos um grupo autogestionário, realizamos tudo com base em doações e compras com o nosso próprio dinheiro (ou a partir de arrecadação financeira). Atualmente estamos precisando de um nobreak, pois em quedas de energia a máquina não liga sozinha.

Somente mulheres, ou homens participam?
No projeto Mão na Máquina somente mulheres participam, mas no Projeto de Web, homens e mulheres podem participar. A idéia de um projeto que incluísse só mulheres era criar um ambiente de apoio mútuo e troca de conhecimentos, sem pressões “dos que sabem mais” sobre “as que sabem menos”, pra garotas que se interessavam por aprender informática livre e também para incentivar que mais mulheres pensassem na possibilidade de aprender mais sobre isso. Sabemos que muitas vezes as mulheres não se sentem a vontade em trocar idéias ou tirar dúvidas com homens sobre este assunto por causa de uma insegurança gerada pela idéia de que este é um campo masculino. Algumas de nós não achavam que podia aprender ou fazer sozinha muitas coisas que fazem hoje. No caso do trabalho com um servidor de internet, nenhuma pessoa do nosso círculo sabia qualquer coisa, então foi um bom momento para iniciarmos um trabalho conjunto, homens e mulheres, com software livre.

Vocês conseguiram os objetivos mencionados no email abaixo (apoiar no aprendizado em informática e softwares livres, aprender e difundir conhecimentos necessários para realizá-lo e dispor espaço de internet para grupos que fazem trabalhos sociais em Goiânia)?
Nós procuramos desenvolver todas as nossas idéias, estamos em processo. No mês passado voluntárias e voluntários realizaram oficinas para jovens carentes, sobre software livre e internet, com o objetivo de difundir a idéia, da oficina de software livre foi agendada uma de metareciclagem e instalação de um sistema operacional livre. O Projeto busca a formação de multiplicadoras e multiplicadores na área de Tecnologias, isso significa que a nossa intenção é estar sempre aprendendo e difundindo os nossos conhecimento – daí se parte o princípio do software livre: a dádiva. Aqui temos pessoas que estão fazendo o contato com linux agora, que já tiveram algum contato ou que já tem contato maior e mais intenso na área. A nossa intenção é fazer isso crescer, para que sejam criados novos grupos com os mesmos objetivos (ou até mais além) e difundir a prática e a idéia. Já temos um espaço de internet para serviço web para trabalhos sociais, que foi cedido gentilmente pela UFGNet[4].

A nossa intenção é sempre estarmos nos reunindo para discutir e compartilhar os nossos conhecimentos, mesmo que de certa forma já façamos isso pela internet, utilizando documentação em uma WIKI[3], que é uma página de publicação aberta e que qualquer pessoa pode acessar e contribuir. Temos reuniões aperiódicas e no momento não temos nenhuma marcada, elas serão colocadas na área de planejamento da Wiki e depois documentadas com relatos. Recentemente o Grupo Mão na Máquina recebeu uma doação pessoal de 8 máquinas de Brasilia, são máquinas pentium mmx, e nao tem muito suporte, mas pretendemos utilizá-las para criar rede de internet e fornecimento para outros grupos e oficinas (metareciclagem, linux). O Projeto Xanta de Tecnologias Livres é companheiro de outro projetos, como o proprio Mão Na Máquina, a Birosca (servidor para mulheres)[4] e o Mandachuva[5], que tambem sao redes de compartilhamento do Brasil.
[1] http://xanta.milharal.org
[2] http://xanta.milharal.org/wiki
[3] http://ufgnet.ufg.br/
[4] http://baderna.birosca.org/
[5] http://wiki.guardachuva.org/mandachuva

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